Por que os profissionais de TI preferem ficar longe de uma Universidade?
Com certeza é uma das áreas mais rentáveis que existe. Também, sem dúvida alguma, está entre as que mais crescem. Mas por que muitos profissionais preferem fechar os olhos para as Universidades?
A pergunta acima foi feita por uma funcionária do RH da Microsoft chamada Janelle no blog Technical Careers @ Microsoft. Segundo ela, existem três motivos:
- Existem muitas empresas procurando por funcionários técnicos e por isso os estudantes acham que não precisam de uma graduação, afinal tem vaga sobrando;
- Os estudantes acham que a graduação não é tão importante quanto os seus interesses, pois normalmente a Universidade vai na contramão das últimas tecnologias de mercado;
- Cursos de ciências da computação e derivados estão desatualizados, ou seja, não utilizam as tecnologias de ponta que o mercado oferece.
Lendo os comentários (vale a pena, acredite) do post, dá pra acrescentar mais alguns itens para esta lista, tais como:
- O outsourcing está em alta. Muitas empresas estão utilizando a mão-de-obra barata da Índia, por exemplo. Isto explicaria o motivo para os americanos, pois o salário de um estadunidense sem dúvida alguma é muito superior ao de um indiano na mesma profissão;
- O maior problema para alguém que não possui uma graduação é o primeiro emprego. Depois deste, torna-se completamente desnecessária.
Eu conheço muita gente fera na área que nunca colocou os pés em uma Universidade. No entanto, grande parte deles não tem a mínima noção de um algoritmo de escalonamento de processos do SO. Tá, mas e daí?
Realmente: e daí?!?
Hoje em dia os empregos em TI partiram para vários ramos. Tem aquele específico no desenvolvimento de interfaces, tem também um focado na criação de aplicações server-side, etc. Ou seja, o tem lugar pra todo mundo, porém cada um aplicará conceitos diferentes.
Os cursos de ciências da computação que temos hoje em dia são muito conservadores. Falta flexibilidade. Na minha opinião, a teoria é essêncial, mas deixar a prática de lado por quatro ou até cinco anos é sinônimo de insanidade.
Uma possível solução para este problema seria dar mais opções aos acadêmicos após os dois primeiros anos de curso. Eu acho que com dois anos de teoria sobre as mais diversas áreas (sistemas operacionais, computação gráfica, inteligência artifical, etc) o estudante já vai estar maduro o suficiente para saber o que escolher. Logo, por que não oferecer uma formação com foco nas tecnologias atuais até o final do curso? Ah, talvez seja porque isso envolve muita grana para as instituições, afinal um professor up-to-date nas tecnologias do momento é artigo raro.
Eu me formo em alguns meses no curso de ciências da computação e concordo em gênero, número e grau com o post do usuário krugs525:
I have a 4 year degree in Computer Science and Engineering. In my 4 years, I took 5 classes that taught me something that I’ve used in my job since I’ve graduated.
T+.




Creio que a educação sofre o mesmo problema dos processos de desenvolvimento de software formais: as pessoas não sabem como fazê-lo (educar ou controlar o desenvolvimento de SW), mas por criarem e implementarem uma metodologia “formal”, convencem os outros (e, às vezes, a si mesmo) de que a coisa funciona.
Meus dois centavos:
No que tange a tecnologias utilizadas atualmente, penso que boa parte delas se enquadram nos seguintes pontos:
a) precisam de um background abrangente para serem compreendidas e esta compreensão é demasiadamente especializada (ie. de difícil emprego em domínios distintos),
b) são péssimas tecnologias que foram adotadas pelo mercado por razões arbitrárias e
c) ofuscam os insights e genialidades dos conceitos que as inspiraram, dado as toneladas de cirurgias e modificações atreladas à mesma.
Sendo assim, dado um ensino superior com foco no mercado, me pergunto:
1) O quão preparado o recém-formado está para contextualizar, criticar e julgar seus instrumentos e atividades profissionais?
2) O recém-formado será capaz de destilar as idéias poderosas escondias nas tecnologias que utiliza, contextualizar e aplicar estas idéias poderosas em sua vida e em seu trabalho?
3) Será que este recém-formado passou seu período de estudos aprendendo tecnologias “mal feitas”?
4) Será que ele entraria em pânico dado uma mudança brusca no mercado e na sociedade?
Finalmente, deve o universitário aprender tecnologia (no sentido amplo) ou aprender a utilizar a tecnologia (no sentido imediato)?
Eu acredito que, em tese, é dado às pessoas a opção de escolha, e esta escolha, a meu ver, recai entre um curso superior (aprender tecnologia) e um curso técnico/profissionalizante (aprender a utilizar tecnologia). Porém, a cada dia que passa, me parece que o curso superior está procurando, cada vez mais, se tornar um curso técnico, e vice-versa.
Além do mais, acredito que o mercado procura pessoas com nível superior porque não tem outro lugar onde procurar (lembra o que falei no primeiro parágrafo? Se não sabe o que fazer, vai procurar o óbvio e mais “seguro”. Neste caso, profissionais formados). Como você disse, muitas pessoas trabalham com atividades que nunca aprenderam na sua gradução. Penso que este tipo de foco faz pressão na academia e ela corre o risco de se subverter aos desejos do mercado.
Oportuno então, lembrar que, segundo nossas leis sobre educação superior, dois lados atualmente conflitantes devem ser cultivados: tanto o preparo para a atividade na sociedade quanto, por exemplo, “o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura, e, desse modo, [visando] desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive” (Art. 43).
Resumo da opera: o mercado me parece visivelmente bagunçado, e a academia, perdida no meio do tiroteio. Além do mais, ao observar a academia seguindo os rastros do mercado, só tenho a esperar por efeitos nefastos na sociedade, cultura e, certamente, no próprio mercado.
De qualquer forma, eu não tenho solução; mal consigo distinguir o problema em toda esta confusão.
PS: desculpe o comentário “recheado”
A meu ver, numa área tão ampla como a ciência da computação, as faculdades estão mais ou menos no caminho certo, concordando em parte com o Thiago, o papel da faculdade é ensinar ao acadêmico as bases da tecnologia, e lhe dar sustentação para que o mesmo tenha base para caminhar sozinho.
Uma das grandes razões que eu estou do lado das faculdades é o grande esforço que o acadêmico tem que desprender para passar pela tonelada de disciplinas de matemática e algoritmo (algoritmo, estrutura de dados, lógica, análise de algoritmo, etc.). Isso se torna um diferencial na hora de você mudar de tecnologia, ou até mesmo de paradigma.
Um exemplo disso é quando um profissional tem que deixar para trás a programação estruturada e aprender OOP. Em todos os aspectos da mudança o com formação superior se adaptará muito mais fácil que o outro devido claro à suas noções de algoritmo e pela base adquirida na sua formação.
Se as faculdades fossem voltadas para o mercado ou elas teriam que ter cursos de 10 anos, teria que abster da necessidade de dar ao acadêmico noções básicas da tecnologia, ou seja, nesse caso algoritmos.
Por isso que sou a favor das faculdades serem e continuarem a ser conservadoras.
Desculpem-me os erros de linguagem e de português, não tenho nenhum talento em escrever.
Acontece o seguinte, vc tem muito pouco conhecimento dos cursos superiores pra fazer um artigo desses.
Mas só um toque pra ti: Ciência da computação forma o que? Concerteza não são programadores, nem webdesigners.
Ah quer a resposta? CIENTISTAS.
Cientistas não trabalham com tecnologia de ponta. É outro ramo.
Fabio,
Como diria o Bruno Torres: você viveu debaixo de uma pedra pelos últimos tempos.
Os cursos de BCC não são, de forma alguma, formadores de cientistas e ponto final.
Eles formam pessoas capacitadas (leia-se: embasadas teoricamente) para trabalhar com pesquisa e tecnologia (seja ela de ponta ou do século passado).
Claro que só falar não adianta, então get the facts:
UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina
Site do curso: http://www.inf.ufsc.br/cco/cco/index.html
O que diz: O curso de bacharelado em Ciências da Computação visa formar profissionais com sólidas bases científicas e tecnológicas para atuar na área de informática, utilizando e/ou desenvolvendo recursos computacionais.
UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Site: http://www.inf.ufrgs.br/
O que diz: O curso de Ciência da Computação objetiva formar profissionais qualificados para planejar, projetar, desenvolver, implantar e gerenciar sistemas de computação, abrangendo desde soluções simples com computadores pessoais até redes corporativas complexas.
UFPR - Universidade Federal do Paraná
Site: http://www.inf.ufpr.br/bcc/O_Curso/index.html
O que diz: O curso de Ciência da Computação da UFPR permite três diferentes perfis profissionais. Esses perfis refletem as diferentes aptidões e competências dos formandos e diferentes atuações. São eles: Empreendedor, Desenvolvedor e Acadêmico.
Definitivamente os cursos de BCC não formam só Cientistas há anos (se é que um dia formaram!).
Até.
Thiago e Marcelo,
Primeiramente, ótimas contribuições.
Meu post foi fortemente influenciado pelo curso que estou perto de terminar. Durante 5 anos não tive a oportunidade de escolher qual área direcionar os estudos (isso normalmente é dado através das disciplinas optativas, porém tínhamos poucas por semestre, e acabávamos cursando o que havia disponível).
Sem dúvida alguma eu acho que o embasamento teórico faz parte de uma escada. Em outras palavras, o bom profissional de tecnologia provavelmente tem um mínimo de teoria. Caso contrário, é um mero digitador de códigos ou arrastador de componentes.
Thiago, fica aqui um comentário separado sobre o parágrafo onde você comenta da possível escolha entre graduação ou curso tecnológico. Eu estou aplicando para um visto de trabalho na Austrália e isto faz toda a diferença. Veja só: eles procuram profissionais para o mercado de trabalho, ou seja, programadores, analistas, etc. Gente com um background muito mais tecnologico do que científico. No entanto, quem possui uma graduação leva vantagem sobre quem possui um curso tecnologico. Que paradoxo heim?
Até.
Fabio,
“Com certeza” tenho saudades da época em que os “cientistas” sabiam se expressar corretamente, respeitando as normas da língua-pátria.
Independente da minha opinião, vou copiar o Marcos e vou direto aos fatos:
Fato 1: Se você quer ser chefe, tem que ter faculdade. Ponto final. Não importa se você é um ótimo técnico. Subir de cargo e salário na famosa “Carreira em Y” é mais dificil do que virar jogador de futebol profissional.
Fato 2: Se você quer ganhar dinheiro e ser técnico a vida toda, não precisa de faculdade. Faça alguns cursos especializados e tire algumas certificações oficiais, e você vai ganhar tanto ou mais que um profissional formado.
Fato 3: É importante lembrar que continuar como técnico depois dos 35, 40 anos é muuuito dificil.
Portanto:
a) Ou você faz um plano muito bom de previdência privada (se for bão mesmo faz a gestão da própria carteira), ou vai ter sérios problemas quando chegar nessa idade crítica.
ou
b) Abra sua própria empresa.
Marcos Dell Antonio:
Que pena você perdeu uma ótima oportunidade de expor suas idéias… Que tipo de comunicação é essa com siglas do tipo “BCC” …… Comparações entre Universidades sem sentido, onde está a compreensão do tu estás falando ?