Jun 12 2007

A prostituição das instituições de ensino no Brasil

Autor: Marcos Dell Antonio - Categorias: Cotidiano

Não, este post não é sobre a prostituição NAS instituições de ensino brasileiras, mas sim sobre a venda descarada de diplomas que está acontecendo no Brasil.

Se o aluno leva 3 ou 4 anos até completar o curso e terminar de pagar o diploma, isto não vem ao caso. O fato é que o nível das instituições de ensino (faculdades e universidades) está no fundo do poço. O formando sai com um canudo na mão e com a cabeça vazia. É o velho e conhecido ditado: dinheiro na mão, calcinha no chão.

As instituições particulares não têm mais alunos. O vínculo agora é entre contratante e cliente. Isso mesmo. Não somos mais alunos. Somos clientes de instituições de ensino que cospem qualquer conteúdo, recebem uns trocados ao fim do mês e depois de um tempo (se você quiser dá pra encurtar o processo) dá ao cliente um certificado, comprovando sua ignorância formação.

Sabe o que isto significa? Todo bom vendedor tem como primeira meta agradar o cliente. Levando este conceito ao cenário das instituições de ensino, você enquanto aluno pode fazer gato e sapato, desde que esteja em dia com as mensalidades. Estudar para alcançar notas fica em segundo (se não terceiro) plano.

Seu Madruga

Eu, por exemplo, cursei uma disciplina durante minha graduação onde mais de 80% da turma foi aprovada sem atingir a média mínima (6.0). O movito? Sem estas aprovações não haveria gente suficiente para fechar turma na matéria seguinte do próximo semestre.

Não quero generalizar. Sei que existem alunos melhores que isto, aqueles que não se deixam abater pelas péssimas aulas e estão sempre indo em frente. Porém, a grande maioria que ingressa nestas instituições acaba se acomodando. Só percebe que levou um golpe depois que recebeu o canudo e o mercado de trabalho fecha as portas.

Boa parte dos jovens enquanto estudante do segundo grau ainda não tem condições de escolher sequer sua futura carreira, imagina então uma universidade ou faculdade que ofereça condições de estudo.

A coisa começou a piorar quando surgiram os cursos online. Aqui faço uma pausa para o apedrejamento. Trabalho como desenvolvedor de software e tenho certeza mais do que absoluta que tem gente rindo a toa (leia-se: dormindo em cima de dinheiro) com esta moda de ensino a distância (EAD).

Isso é balela! Eu já tive diversas aulas a distância. É pretexto pra professor ficar em casa coordenando mais de uma turma ao mesmo tempo e a instituição gastar menos. Não quero generalizar, novamente, mas a maioria das instituições vê no EAD uma excelente oportunidade de reduzir custos mantendo o lucro.

O que me fez escrever este post foi um anúncio numa rádio local de uma Universidade conceituada no estado sobre o seu processo seletivo. De seletivo não tem coisa alguma. É tão fácil de entrar que acabaram até com o gosto de aplicar o trote nos calouros. Só falta pedirem uma cópia do extrato da conta corrente na hora da inscrição.

Até +.

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Um comentário para “A prostituição das instituições de ensino no Brasil”

  1. Enio Luiz Vedovelloem 13 Jun 2007 4:42 pm

    Perfeito e oportuno, Marcos. Este é um outro aspecto nefasto decorrente da LDB de 1971, que eu citei no meu post. Infelizmente, admito que foquei mais a questão geral, com alguma ênfase à escola pública, e me esqueci de citar as escolas particulares. Lembro-me de ouvir, desde a minha pré-adolescência, o bordão “pagou, passou”, como referência a algumas instituições.

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